ANA VILELA DA COSTA

Localização: Monsanto
Convidada: Ana Vilela da Costa
Actriz
Menina ou Moça?
Moça.


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Qual é a ‘descrição’ da Ana Vilela da Costa.
Ana Vilela da Costa nasceu em Lisboa mas foi logo a correr para a Amadora onde foi criada e recebeu os ensinamentos necessários a uma vida suburbana.

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É licenciada em Antropologia e estava quase a tornar-se uma profissional da coisa quando o teatro invadiu a sua vida (na verdade, ele já morava lá). Enquanto fazia o mestrado em teatro decidiu fugir para Itália e ali encontrou, finalmente, o coelho branco (ser que já a intrigava há muito tempo). Deste encontro surgiu Alice in Underwear, performance que tem andado a mostrar por aí, neste último ano.

Se já não é antropóloga, também não podemos dizer que seja só actriz… Já foi encenadora, professora, já criou sozinha, já criou em conjunto e até já fez uma fotonovela.

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Faz o briefing dos teus projectos actuais.
Estive até esta semana em Budapeste onde trabalhei com a companhia de teatro Táp Theatre, nomeadamente no espectáculo que apresentámos no Trafó – House of Contemporary Arts,  Csoportkép oroszlán nélkül (természetes fényben), , ou em inglês Group portrait without the lions (in natural light), ou em português Retrato de grupo sem os leões (à luz natural) de Ádam Fekete. A peça apresenta-nos o dia-a-dia de uma série de personagens enredadas no fatalismo do seu próprio destino. E eu fiz o papel de uma estrangeira, a única que consegue, de certa forma, vislumbrar uma fuga. É curiosa esta peça porque reflecte bastante aquilo que me parece ser a realidade da juventude húngara, como se vivessem num beco sem saída.

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O projecto Alice in underwear, criado em Itália em 2013 no âmbito do Festival Frattale, continua e foi apresentado em Budapeste, a primeira vez que o fiz em inglês. Alice in Underwear foi criado em Itália e é uma breve performance sobre o tempo, a memória e a obsessão pela infância e pela fantasia.

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Qual a história profissional de que te orgulhas mais?
Orgulho-me da Alice porque gosto da Alice. Foi penoso o processo criativo (e executivo) mas muito compensador. A Alice é feita de uma simplicidade contida pelos olhos desconfiados das pessoas, que se transformam em sorrisos (e mesmo risos) ou que permanecem na suspeita e geram um pânico bom quando percebo que aquele olhar não vai mudar. A Alice vive dessa proximidade a todas as leituras possíveis e permite-me a sensação de estar a contar segredos.

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Três segredos sobre ti.      
Os segredos não se deveriam dar assim, que uma pessoa também é feita do que ninguém sabe, mas se todo o segredo guarda em si uma revelação em potência, corações ao alto, senhores, corações ao alto, que aqui vêm logo às três de uma vez!

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Porque um dia quis ser antropóloga, estive no sul da Guiné-Bissau, em plena floresta tropical, a estudar chimpanzés, ou melhor, estudava a relação entre os Balanta (o grupo étnico maioritário da Guiné-Bissau) e o meio natural envolvente, com especial foco na preservação da floresta, da vida selvagem e do chimpanzé. Primeiro segredo desvendado: Andei por África a estudar primatas não-humanos.

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A segunda revelação, na verdade, poderia ser a primeira porque viveu sempre comigo, ei-la: tenho dedos dos pés siameses, qual ninfa de idades ancestrais, reminiscência de batráquios de outrora. Diz quem sabe que é tendência futurista, primavera/verão dos milénios por devir.

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E a terceira revelação apareceu aos 15 anos, quando me tornei, por um breve período de tempo, atleta de Pentatlo Moderno. Dos 15 aos 17 era vê-la a correr de treino para treino, entre a natação e a esgrima, passando pelo tiro e pelo hipismo.

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Um piropo a Lisboa.
Há que ter cuidado ao lançar um piropo a Lisboa. Lisboa é varina, pode o elogio sair-nos mal e ainda corremos o risco de levar um estalo na cara, como acontece com grande parte dos piropos que se ouvem por aí.

Ocorrem-me ainda os piropos badalhocos, que certamente agradariam a Cervantes e Camões:
Ó Lisboa, contigo era até encontrar petróleo e transformar-te numa potência mundial.
Ó ó Lisboa… olha para a frente senão Cais do Sodré
Ó Lisboa contigo era até fazer claras em Castelo de S. Jorge.

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Qual o roteiro para um dia perfeito na cidade?
Então… um dia perfeito para mim começa depois de almoço, mas partindo do pressuposto que até acordava cedo, iria certamente começar pela Feira da Ladra (só porque é ali ao lado de casa), depois ia beber um cafézinho e comer uma tosta ao Clara Clara, no Jardim de Santa Clara e talvez ficasse por lá a olhar para o rio e a ler um livro. Não exactamente em momentos sincronizados, mas ora olhando o rio, ora lendo um livro.

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Antes de me ir embora, dava uma olhada no cartaz para perceber qual seria o próximo filme a ser apresentado, porque o Clara Clara, todas as quartas-feiras de Verão, projecta um clássico de sci-fi ao ar livre. Depois subia à Graça e descia ao Intendente para ir beber uma imperial ao Café do Largo e dar dois dedos de conversa com os amigos. Jantava num dos vários restaurantes chineses clandestinos (ups! Agora já disse) do Martim Moniz e da Rua do Bem Formoso. Ia à Casa dos Amigos do Minho nessa mesma rua ver se havia festa, algum concerto no terraço e depois ia para o enfumarado Anos 60, ouvir uma música ao vivo e dançar.

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Um evento que mereça um ‘Vou’.
Este é um evento ao qual não posso mesmo faltar.
https://www.facebook.com/events/1560031734255660/

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Apresenta uma outra Mulher ou Moça de que Lisboa vai ouvir falar.
Márcia Cardoso. É actriz, escreve, encena mas se a ouvirem cantar percebem que o seu caminho poderia ter sido outro. Brevemente poderemos vê-la na Opereta Sebastião e Sebastiana, das primeiras composta pelo Mozart quando tinha apenas 12 anos e que será encenada pelo Ricardo Neves-Neves. Tem um novo projecto chamado AmorcegA do qual ainda não se pode falar.

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Qual das fotos das sessão usarias como imagem de perfil?
Usava todas. São todas lindas. Aliás é isso que vou fazer, vou mudar de 2 em 2 dias.

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Makeup artist: Daniela Tavares

Lisboa, Fevereiro 2015.

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