ANA PRACASCHANDRA

Zona da sessão: Graça
Convidada: Ana Pracaschandra / Chandi Oliveira
Jornalista, Performer, Facilitadora de Risos e Anfitriã Profissional
Menina ou Moça?
Metade menina, metade bicho, assim me revejo. Por vezes com a inocência e curiosidade de uma menina, temperada pela garra e energia de um bicho selvagem.


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Se isto fosse o teu perfil numa rede social, qual era o ‘sobre’ da Chandi Oliveira?
Um caso bicudo complicado. Sofre de indecisão crónica e é um paradoxo ambulante. É o cúmulo da amplitude emocional. Diverte-se a fazer perguntas e a descobrir histórias nos outros. O que melhor sabe fazer é pôr as pessoas em contacto e está sempre a inventar pretextos para fazer celebrações em modo de festa. Adora cozinhar para os amigos, detesta cozinhar só para si. Uma acérrima apaixonada por “pores-do sol”, faróis, moinhos, bolas de cristal, lobos e cavalos. Ouve música desde que se levanta até ao momento em que se deita.

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Gosta de adormecer no sofá. Sons repetitivos como secador de cabelo, aspirador ou ronronar de um gato são as suas pílulas de relaxamento. Se fosse um animal seria qualquer coisa como um mix entre uma pantera, um louva-a-deus e um caracol. Porquê? Ela acha que já perdemos demasiado tempo com “porquês” por isso dedica-se intensamente aos “comos”. Como realizar, como concretizar…como ser feliz. Inquieta por natureza, sofre do mal de ter um bicho carpinteiro dentro de si.

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O que andas actualmente a fazer por Lisboa?
Neste momento reparto-me entre vários projetos. Colaboro para publicações no âmbito cultural como a GERADOR, entretanto estreei-me no âmbito das energias renováveis e sou gestora de conteúdos no Há Mais Energia (que curiosamente deve estar a ser lançado pela mesma altura que esta entrevista). Para além disso colaboro como palhaça de intervenção na ClownCare, uma associação fundada pela minha querida amiga Anita Silva, que leva palhaços, sorrisos e abraços a idosos institucionalizados. Estou ainda a procrastinar dois projetos que lancei em 2013 e que não tenho pegado neles, mas que vou reformulá-los em breve; Um blog, Um Desafio Por Dia em que junto a paixão jornalística e o desenvolvimento pessoal. É um blog sobre “sair da zona de conforto”, sobre desafios e novas experiências em Lisboa, quiçá mundo. O seu lema é: “Um desafio por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.”

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A Ludodependentes, é um conceito de formação através do lúdico, da expressão e da arte. Competências como a criatividade, intuição e auto-confiança são desenvolvidas ao longo de várias sessões. E como decidi que antes dos 30 começava a realizar os meus sonhos, tenho-me aventurado a cantar por alguns bares de Lisboa, e a escrever alguns originais. Este ano vou iniciar uma jornada de formação no Hot Club de Lisboa e finalmente aprender a ler pautas….Ah! E claro não poderia deixar de mencionar as aulas de sapateado com o meu querido Michel no Tap Dance Centre, em pleno Bairro Alto! São a minha meditação [risos].

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Qual o projecto profissional de que te orgulhas mais?
A Ludodependentes. Surgiram de uma necessidade pessoal. Senti uma urgência em desenvolver-me enquanto ser humano, pessoal e profissionalmente, numa dimensão lúdica, através da expressão e da arte. Sentia que na minha própria vida, os modelos de aprendizagem e desenvolvimento pessoal em que me inseria ficavam todos numa dimensão demasiado intelectual e verbal, e fui descobrindo que aprendia muito mais sobre mim mesma e sobre o mundo que me rodeava, em movimento, quando me divertia, e quando criava alguma coisa. Não posso deixar de mencionar também que acho que as histórias mais mágicas que tenho vivido ultimamente têm sido com a ClownCare. Poder colaborar com esta equipa maravilhosa de palhaços (Anita Silva e Sérgio Gonçalves), entrar de rompante num lar e roubar sorrisos, dançar e cantar com “avós” que não têm visitas ou carinho há tanto tempo, é de facto um privilégio. Em cada visita ganho vários avôs e avós novos!

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Um piropo a Lisboa.
Entre curva e contracurva, desfloro-te e consigo perder-me a cada recanto. És misteriosa, sinuosa e tão boa anfitriã para quem te estima. És céu azul, espelhado no Tejo, és sardinha assada no pão, és calçada bicolor e Fado apaixonado.

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Um lugar especial da cidade com uma (pequena) história.
Bom, o local é bem conhecido de toda a gente e dispensa apresentações, tornando-se quase um pouco cliché. É para os lados de Sete Rios e está recheado de espécies animalescas. O local tornou-se especial pela história que passo a contar. Era um recém casal. Vagabundeavam pelos destinos onde outrora foram felizes, antes de se chocarem um com o outro. Decidiram pegar na máquina do tempo e regressar à infância e às visitas de estudo, com direito a fotografias com o elefante. Sabiam que ali podiam ser felizes. Desafiaram o Tigre Branco numa corrida em paralelo (pelas grades que os separavam) e seduziram os suricatas com o som de um beijo. Ali foram felizes.

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Um roteiro para o dia perfeito na cidade?
Lembro-me das manhãs em que acordei em Lisboa ultimamente. A luz era outra, a azáfama também. Um dia perfeito em Lisboa é agarrar em nós, descermos as escadas, entrar de rompante na rua e sentir o burburinho da vontade de explorar a correr-nos nas veias. Um dia perfeito em Lisboa é levar a marmita do pequeno-almoço e um livro para os consumir em ritmo lento no Jardim do Torel. Um dia perfeito em Lisboa, é deixar a brisa beijar-nos o pescoço e conduzir-nos cidade fora. É perder-nos pela Estefânia, beber um café na Leituria, descer a Almirante Reis e ir às compras nos supermercados étnicos.

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É almoçar num restaurante clandestino chinês que não vou dizer qual é, por ali na Mouraria e subir calçada acima até à Graça. Um dia perfeito em Lisboa, é sentir os ritmos diferentes, colina acima, colina abaixo. É ir fazer uma oração à cidade no Miradouro da Nossa Senhora do Monte e ganhar embalo para ir beber um chá no Botequim ou na cafetaria do Taborda. É acabar o dia a ver o pôr do sol no Bartô, seguido de um cachimbo marroquino no Caximbar. É viver o amor à beira-rio no Cais das Naus e acabar a madrugada a abanar o esqueleto ali pelo Incógnito.

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Um tasco, uma tasca, um boteco ou um botequim.
Toma Lá Dá Cá, Sagrada Família e a Bela e Petiscos. Uma trilogia gastronómica a não perder.

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Links que valha a pena fazer um clique.
Um Desafio Por Dia (cof, nisto sou suspeita. Prometo actualizações p’ra breve)
ClownCare
Skeleton Sea 
Gerador 
A Avó Veio Trabalhar 

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Um evento ou um espectáculo imperdível.
E Morreram Felizes Para Sempre, em 27 salas do Hospital Júlio de Matos. É para ir e mergulhar num espetáculo em que deixa de saber o que é real ou ficção. Deixe-se levar.

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Três segredos sobre ti.
– Sou viciada em chocolate.
– Não sei fazer a cambalhota (sim, riam-se pr’aí).
– Adoro onomatopeias.

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Apresenta uma outra Menina ou Moça de que Lisboa vai ouvir falar.
E como as meninas que me rodeiam são mais que muitas e talentosas a escolha é difícil. Lá está, perdoem-me a indecisão.
Anita Silva, entre muitas outras coisas, minha amiga e fundadora da ClownCare e Team +.
Marta Alves, “dona” do projeto ThePinkLemonade. Uma artista multifacetada e empreendedora que captou a minha atenção à primeira maquilhagem.
Debora Ribeiro, captadora de imagens estáticas da vida, com extrema sensibilidade e arte.
Joana Rita Sousa, uma filósofa escritora, entre muitas outras coisas, com muita pinta.

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Quase a terminar, um clássico: que pergunta faltou fazer?
“Qual foi a última coisa que te fez dar uma gargalhada?”
Bom, como é característico dela, a Bia está sempre a fazer-me rir. A última gargalhada que soltei foi ao ver o nosso vídeo de má qualidade, a provar quantas vezes somos capazes de dizer “pera” em menos de 15 segundos. A Beatriz Nóbrega é a minha mulher mágica, que independentemente de me cair o céu em cima, arranca-me sempre um sorriso.

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Qual das fotos da sessão usarias como imagem de perfil?

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Lisboa, Setembro 2015.

Agradecimentos:
Make up: Marta Alves, The PinkLemonade

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