MARGARIDA RODRIGUES

Localização: Marquês e Avenida da Liberdade
Convidada: Margarida Rodrigues
Fotografa, ilustradora, produtora
Menina ou Moça?
Gostava de poder dizer menina porque o meu “ar” assim o acusa, mas escolho a opção c) nenhuma das anteriores e d) Lilith. Dou-vos o devido espaço de pesquisa.


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O que andas a fazer?
Neste momento estou a tentar devagarinho erguer um projecto de fotografia sobre sexualidade que terá um documentário. Posso apenas antever que se chama Casa 8. Meti-me há 2 dias numa aventura de epitáfios (surpresa). Estou ao mesmo tempo a escrever um argumento (a ver se consigo!) e a ilustrar um livro de uma amiga. Nos tempos livres chateio editoras e persigo pessoas para tudo isto.

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Qual a história/projecto profissional de que te orgulhas mais?
Cedo para nostalgias, até porque só comecei a fazer fotografia em 2012. Mas como estou convencida que vou sempre morrer no dia seguinte, mexo-me com uma velocidade do catano. Terei que mencionar o livro que anda a circular sobre a Beat Generation (retrato em fotografia); o orgulho é substituído pela alegria face à prova viva de que o trabalho em equipa está de boa saúde e recomenda-se. Foi um projecto longo que demorou quase 2 anos até ver a luz do dia, e que consiste num retrato fotográfico de grande parte dos escritores do movimento Beatnik (senhoras inclusivé). Para cada escritor foi escolhido um modelo (com um casting baseado na elaboração de cartas astrais e entrevistas), e para cada modelo, um conceito trabalhado por uma equipa incrível de artistas que me apoiaram desde o primeiro momento num projecto sem qualquer financiamento a não ser o meu e a boa vontade de todos os intervenientes. Penso que consegui unificar de forma consistente várias gerações de artistas portugueses para retratar estes senhores e senhoras por vezes tão esquecidos. Nuno Melo, Marta Melro, Pedro Barroso, Paulo Furtado, Ana Bacalhau, Rita Redshoes, Charles Sangnoir, Katharina Franck, David Soares são apenas alguns nomes que viajam por este livro. Podem encontrá-lo por aqui, no site da Chiado Editora ou no desespero total, falem comigo a partir da minha página no facebook.

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Um piropo a Lisboa.
Sempre vi Lisboa como uma senhora. Não se mandam piropos a senhoras; no máximo fazem-se propostas irrecusáveis e passa-se directamente à acção.

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Um roteiro para o dia perfeito na cidade?
Sou caseirinha. Vivo numa caverna com bolor, uma luz divina, uma alma gémea e um gato gordo. No entanto, consigo pensar num dia perfeito na cidade; um sábado a comprar livros em alfarrabistas nas costas da Bertrand no Chiado e de seguida meter-me durante umas duas horinhas na Igreja do Loreto a ler as recentes aquisições. De seguida chatear o senhor da BdMania e discutir sobre a concorrência mais próxima. Almoçar gelado no Santini, seguir a pé com headphones, e inventar razões para gastar dinheiro em retrosarias. Sentar-me em todas as esplanadas vazias (difícil), e num diário gráfico adivinhar em rascunho a vida de quem passa. Ao final do dia, como odeio o pôr-do-sol, voltar a casa, mudar de trapos e comer algo mais substancial no Galeto. Seguir para o Monumental na última sessão do dia para apanhar uma sala só para mim.

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Um link que valha a pena fazer um clique.
O booktrailer do meu livro “With the Absolute Heart of the Poem of Life”.
As minhas crónicas sobre o making of do livro, na Umbigo Magazine.
INSEA- International Society for Educatin Through Art. O xôr Herbert Read morreria de felicidade.
Sou apaixonada por plastinação. Ainda hei-de aprender como se faz.
O último do Jodorowsky.
Para trautear.

MAR10b

Um evento ou um espetáculo imperdível.
Não sou de eventos, mas algo que tenho que ver é o mais recente ensaio sobre a vida de um pisciriano nascido no mesmo mês e dia que eu e que me diz o mundo: Mr Cobain. “Kurt Cobain: Montage of Heck” estreia em Portugal no dia 25 de Abril.
Outra coisa gira que vai acontecer é a baixa de preços nos cinemas já em Maio durante 3 dias para combater as salas de cinema vazias de norte a sul do país. As distribuidoras a tentarem…

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Três segredos sobre ti.
Tenho poucos, mas os poucos morrem comigo ou a quem os conte. Vamos denominar isto de curiosidades.
1 – O meu filme favorito de sempre, vi-o pela primeira vez aos 9 anos. É o “Dead Ringers” do David Cronenberg. Abençoados VHS.
2 – Mais de metade dos livros que tenho em casa foram roubados a bibliotecas municipais e escolares.
3 – Tenho uma cicatriz de uma operação ao coração. É a parte mais bonita de mim mesma. O coração, a cicatriz vem depois.
4 – Extra: os únicos espaços em que me deixaram expor o meu trabalho de fotografia até hoje foram sexshops e um clube de libertinos. O lusco-fusco…

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Apresenta uma outra Menina ou Moça de que Lisboa vai ouvir falar.
Sei de tantas. É a fortuna imensa de conhecer mulheres fabulosas. Mas destaco uma que é poesia andante: a actriz e escritora Cátia Terrinca. Já se fala dela, mas não o suficiente. Um bem-haja por existires. Outra menina que espero que se fale muito no futuro é a escritora Pat R. Pesquisem e estejam atentos.

Quase a terminar, um clássico: que pergunta faltou fazer?
Talvez todas as perguntas do Questionário Proust. Ok, uma! “Como gostarias de morrer?”. Resposta: amada.

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Qual das fotos das sessão usarias como imagem de perfil?

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Agradecimentos:
David Costa (Hotel Florida)
Equipa do Cinema S. Jorge
Espartilho de Armando Gabriel Corsetry

Lisboa, Abril 2015.

 

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