MARTA REBELO

Zona da sessão: Jardim da Estrela
Convidada: Marta Rebelo
Consultora de Comunicação
Menina ou Moça?
Mulher. Uma pitada de menina porque estou sempre a brincar com tudo, sou a antítese da mulher portuguesa que desconfia muito e faz cara feia, sou muito descontraída e gosto de deixar as pessoas à minha volta à vontade e a rir. Moça? Que “estais à janela”, a ver a lua e à espera (dele)? Nada. Zero. Credo.


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Se isto fosse o teu perfil numa rede social, qual era o ‘sobre’ da Marta Rebelo?
Original, diferente, esteta, descrente na raça humana mas amante de gente e vida. Mãe de uma humana adoptiva, de uma cachorrinha, de duas meninas gatas e um rapaz gato. Amiga incondicional. De gargalhada solta. Frontal, confrontadora, reivindicativa. Aquela que dizem ser excêntrica, mas é só cotovelo dorido. Amante de cinema. Odiante de carneiragem. Belíssima escritora. Gostadora de muitas coisas e mundos. Benfiquista até morrer. Noutra vida terá sido a Cleópatra. Neologista profícua.

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O que andas actualmente a fazer por Lisboa?
A viver. Nasci alfacinha – a única coisa verde em mim -, cresci alfacinha, sou lisboeta de todas as costelas. Ando a fabulizar pela cidade, através do meu recente Magazine Blog “Fabulista” (Facebook fabulista; emailfabulista@gmail.com), onde escrevo fábulas e realidade a troco de qualquer coisa fabulosa, onde faço listas de coisas fabulosas, onde decidi sediar a minha causa, a “gRANDE d” – acompanha-me uma doença bastante horripilante chamada depressão crónica. Onde sou quem quero e como quero. E, extraordinariamente, sou mesmo eu!

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Qual o projecto/história profissional de que te orgulhas mais?
A história profissional de que mais me orgulho aconteceu numa segunda-feira de uma manhã de Janeiro de 2014, em que percebi finalmente – não sem antes passar duas horas a fazer scroll down olhando o vácuo do ecrã do computador – que andava a fazer da minha vida uma coisa cinzenta e triste. A ser “sempre futuro”, como escreveu o Almada Negreiros. Arrumei as coisas pessoais, sai do escritório dizendo que ia comer alguma coisa e nunca mais voltei. Até hoje. Odeio o dia burocrático e o modo funcionário de viver – não sabiam que o O’Neill escreveu o “Adeus Português” para mim? Não? Não era nascida, sequer a minha mãe era, mas Ele sempre foi um visionário.

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Um piropo a Lisboa.
Só em ti, Lisboa, é que venta aquele vento quente que me faz sonhar. És um mulherão.
(Não te deixes ficar gasta pelo parir da galega que te trouxe, sem preparação alguma dos cretinos que por cá mandam, hordas de turistas e tuk-tuks. Nós, nativos, adoramos-te e vamos tratar de correr com os cretinos.)

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Um lugar especial da cidade com uma história.
Foi, desde os meus dez anos, o miradouro de Santa Luzia, para onde me escapulia no eléctrico 28 que parte do meu bairro. Ali sentada a mirar o rio chorei amores adolescentes não correspondidos, chorei tristezas, tomei decisões muito importantes da minha vida, escrevi, sonhei, tranquilizei-me a alma inquieta.
Um dia chegaram as obras, depois os tuk-tuks e a inquietude poliglota e a invasão turística. O 28 tornou-se uma lata de sardinha onde só os carteiristas se orientam.
Muito recentemente, descobri outro sítio, uma bolha mágica, minha, muito minha, que não digo onde é porque não vos quero por lá a estragar!

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Um roteiro para o dia perfeito na cidade?
Condição prévia: temperatura média no curso do dia nos 23ºC e ser sábado (adoro sábados)
Acordar cedíssimo e ir ao mercado do Príncipe Real, com a Nonô (a minha filha cachorrinha, de ano e meio, e ai de quem esteja neste instante a questionar a minha maternidade adoptiva em relação a esta menina). Comprar coisas boas, frescas, que cheiram a bom. Se calhar haver uma feira de velharias, maravilha! Dizer os olás da praxe pelos amigos que têm lojas e espaços por ali, e voltar a casa, deixar as compras e a Nonô a fazer a sesta.

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Dar um salto à Feira da Ladra, vasculhar (há uma cigana em mim, adoro caos, vasculhar, regatear… ui que categoria!) e acabar a descer ao Delidelux, para o brunch. Caminhar até à baixa, ir ao MUDE se tiver uma boa exposição, passar os olhos em lojas modernaças, comprar incenso, parar para beber água fresca, comprar revistas daquelas que não há em mais lado nenhum, no Rossio (nunca me lembro do nome da papelaria) e beber um chá gelado no Bastardo, o restaurante/bar do Lisboa International Design Hotel, na Rua da Betesga 6, com vista de primeiro andar sobre a Praça do Rossio, enquanto passo os olhos, o nariz e as mãos pelas revistas novinhas.

Combino com o meu lovefriend, um dos meus maiores amigos, ele desce ao Rossio e vamos para a minha bolha em Alfama, beber um rosé de Santiago do Cacém que é uma pérola, juntam-se mais amigos, jantar e sair dali quando fecha que é às duas – ou antes, que sou rapariga de ter sono cedo. Chegar a casa, estarem a Nonô, o Benny, a Miss Kitty e a Jujú Rebelo (filha cachorra e filhos gatos) aos pulinhos à minha espera, ir para o pátio de casa até à Aldegundes (a árvore da Nonô) e deitar-me na cama de rede com a Nonô aninhada em mim. E quando acordar faço o transbordo de olhos fechados. Ai, que dia delicioso.

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Um tasco, uma tasca, um boteco ou um botequim.
Não posso dizer o nome, é a minha bolha! A Pensão Amor, onde sou vou ao final do dia, 18/19h, beber um copo de vinho tinto ou um Porto, será talvez a minha tasca, na sala dos sofás cheia de traquitanas e candeeiros e misturas.

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Um link que valha a pena fazer um clique.
Nunca consigo responder de forma exclusiva, lamento. Então:
Fabulista
Gin Lovers
S.L.Benfica
www.omeuipadvesteprada.blogspot.pt
Rui Aires
Vou parar, vou parar…

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Um evento ou um espectáculo imperdível.
Festival ao Largo.

Três segredos sobre ti.
1. Sei cozer, cerzir, tricotar, fazer crochet, arraiolos, bordado da madeira, ponto cruz, um pouco de bilros, cozinhar maravilhosamente – sou uma fadinha do lar não praticante.
2. Sei pintar paredes, carregar, restaurar, reciclar e montar móveis, pregar/aparafusar quadros e varões de cortinados, arranjar candeeiros, podar a Aldegundes – sou um gajo do lar praticante
3. Sei cantar e tenho um vozeirão, tive aulas de canto em adolescente.

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Apresenta uma outra Menina ou Moça de que Lisboa vai ouvir falar.
Uma menina, a Sophia Correia, minha “afilhada da moda” e futura supermodel (tem 13 anos, dêem-lhe quatro ou cinco);
A Ana Menezes, que além de uma doçura inaudita neste mundo e país mesquinhos, é das bravas, cheia de garra. Do seu atelier fez sair para o mundo a sua marca de roupa, peças de seu absoluto design, a BAM. Não é para quem quer, é para quem pode. E está noiva, esqueçam.

Quase a terminar, um clássico: que pergunta faltou fazer?
“O Benfica vai ser tricampeão com Rui Vitória? – Naturalmente, o Glorioso Benfas é SEMPRE campeão”.

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Qual das fotos da sessão usarias como imagem de perfil?

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Lisboa, Julho 2015

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