RITA CANAS MENDES

Zona da sessão: Lx Factory – Alcântara
Convidada: Rita Canas Mendes
Tradutora / consultora editorial / artista gráfica (noutras encarnações já fiz babysitting, revisão de texto, entrevistas na rádio, trabalhei num clube de vídeo, fui hospedeira em eventos e muitos outros et ceteras)
Menina ou Moça?
Miss. Print.


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Se isto fosse o teu perfil numa rede social, qual era o ‘sobre’ da Rita Canas Mendes?
Filha de pintores, vivo e trabalho em Lisboa. Gosto de massa folhada, de diálogos rápidos e de arte contemporânea, de Cervantes e das Kardashian, do meu gato, do meu cão e de stand up comedy. Estudei Filosofia e trabalho diariamente com palavras, seja a escrever ou a traduzir. Faço livros para mim e também para os outros. Em 2011, criei a Com Texto – Serviços Editoriais. Desde 2012 que ando de roda da tipografia artesanal para fins recreativos, e em 2015 inaugurei oficialmente o estúdio Miss Print, o meu alter-ego, onde vou produzindo as minhas invenções. Não tenho medo de mudar de ideias e acredito que, se tivermos sorte, é possível viver muitas vidas numa só. Viajo sempre que posso mas there’s no place like home.

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O que andas actualmente a fazer por Lisboa?
Neste momento, estou a preparar o meu estúdio para mais uma leva de impressões tipográficas, a escrever um livro para um cliente, a coordenar conteúdos editoriais para um chef e a marinar alguns textos meus. Não consigo fazer tudo o que gosto, mas gosto de tudo o que faço, o que é já é uma grande sorte.

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Qual o projecto profissional de que te orgulhas mais?
A Miss Print é, de raiz, um projecto só meu, aquele em que mais me revejo. Neste mini estúdio de tipografia, divirto-me a usar técnicas artesanais para fazer criações inteiramente minhas.

Mas também me orgulho de outras coisas em várias áreas: escrevi um guia prático para ajudar autores a editarem os seus textos (Como Publicar o Seu Livro, Bertrand, 2016), traduzi recentemente um livro de contos ma-ra-vi-lho-so, da Lucia Berlin (Manual para Mulheres de Limpeza, Alfaguara, 2016) e criei do início ao fim um livro ilustrado (Male Vich, protótipo, 2015).

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Uma história da tua casa.
Uma casa não é só feita de paredes e tecto, é sobretudo feita de histórias. Como já mudei de casa quase dez vezes ao longo da vida, a minha casa são essas casas todas. Agora estou numa casa que adoro, e acho que será para ficar. Em tempos, pensei em sair do país, mas gosto demasiado disto. Lisboa é onde me sinto em casa. Talvez porque, em muitos aspectos, ainda é uma aldeia. Num apartamento em que vivi, por exemplo, a vizinha de cima pendurava roupa seca e engomada no estendal só para ouvir as minhas conversas no logradouro.

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Um piropo a Lisboa (aqui ainda se pode).
Calcorreava-te toda!

Um lugar especial da cidade com uma pequena história.
Lisboa está cheia de lugares únicos: o Pavilhão Chinês no Príncipe Real, os alfarrabistas da Calçada do Combro, a Oficina Irmãos Marques no Bairro Alto… Com o estado de espírito certo, encontram-se muitas grutas de Aladino na cidade. Uma delas é o Jardim Bordallo Pinheiro, junto ao Museu da Cidade, onde nos sentimos Alices no País das Maravilhas. Da primeira vez que o visitei, há vários anos, dei também uma volta ao parque do museu, que inclui uma zona de exposição de arte contemporânea. Eu já vinha encantada do jardim de bucho quando, subitamente, deparo com uma criatura, viva, que eu não sabia que existia. Belíssimo, passeando-se calmamente, este ser de aspecto mitológico fez-me achar por momentos que tinha entrado num mundo à la Senhor dos Anéis. Em adultos, não é todos os dias que temos uma sensação dessas. Não vou dizer que animal especial era aquele, para que possas ir lá vê-lo com os teus olhos e sentir o que senti. (Espero que ainda lá esteja.)

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Um roteiro para o dia perfeito na cidade?
Acordar às 10 h ao lado do meu marido, brunch às 12 h, ler nos jardins da Gulbenkian até às 17 h, jantarmos uma pizza cedo com vista para o Tejo, ir ao teatro e acabar a noite com cocktails no Príncipe Real.

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Um tasco, uma tasca, um boteco ou um botequim.
A Taberna do Bairro do Avillez, no Chiado, e o Qosqo, o melhor peruano da cidade. São os dois um consolo.

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Um (ou outro) link que valha a pena fazer um clique.
Trashédia.  A Joana Barrios é genial.
Fruta Feia. Se estão perto e ainda não estão inscritos, aproveitem.
in ap pro pri ate poe try, trocadilhos verbais do Filipe Pinto.
3cm, trocadilhos visuais de Yung Cheng Lin.
The Infinite Monkey Cage, um hilariante podcast da BBC sobre ciência.

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Um evento ou um espectáculo imperdível.
O concerto de Elton John, na Meo Arena. (Rocket maaaaaan.)

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Um sonho a realizar em 2017.
Ter mais tempo para aquilo que gosto de fazer.

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Três segredos sobre ti.
– Em miúda, num coro, fui cantar ao Natal dos Hospitais.
– Chumbei seis vezes no exame de condução por estar nervosa.
– Considero o Ferrero Rocher e a Cerelac dois enormes feitos da Humanidade.

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Apresenta uma outra Menina ou Moça de que Lisboa vai ouvir falar.
Uma? Conheço várias! Matilde Cunha, fotógrafa de moda e não só, e Lais Pereira, fotógrafa de concertos e muito mais, Solange Santos, lindy-hopper, actriz, rainha das maquilhagens, Sara Guia de Abreu, lisboeta de gema agora a tricotar ternura a partir de Amsterdão, Inês Almeida, ilustradora, e a lista continua…

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Quase a terminar, um clássico: que pergunta faltou fazer?
És feliz?
Muito.

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Qual das fotos da sessão usarias como imagem de perfil?

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Lisboa, Novembro 2016.

Agradecimentos:
The Dorm
Muito Muito
Ponto das Artes

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